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Kava-Kava - Enciclopédia

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Kava-Kava

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O que é a Kava-Kava?

Kava-Kava é o nome dado pelos ilhéus do oceano Pacífico tanto à planta Piper methysticum - um arbusto que pertence à família Piperaceae - como à bebida psicoativa que dela se prepara. A Kava-Kava tem um ligeiro sabor a pimenta. O talo da raiz contém as substâncias psicoativas, que se esmagam, mastigam ou moem e embebem em água fria. Desde tempos imemoriais a Kava-Kava faz parte da vida religiosa, política e cultural das regiões do Pacífico, de onde provém.

A Kava-Kava é a erva mais relaxante que existe, com exceção da papoila do ópio. Estudos farmacológicos mostram que os ingredientes ativos da Kava-Kava - as cavalactonas - produzem relaxamento físico e mental e uma sensação de bem-estar.

História

Retirado da “Enciclopédia das substâncias ativas” sobre a história e o uso da Kava-Kava:

Estudos recentes sugerem que a Kava-Kava pode ter sido primeiro domesticada há menos de 3000 anos no Vanuatu (anteriormente chamado Novas Hébridas) - um grupo de ilhas na Melanésia de leste. O uso da Kava-Kava parece ter-se difundido tanto para oeste para a Nova Guiné e parte da Micronésia, como para este para Fiji e depois para a Polinésia. A arqueologia das região não revelou, ainda, muito sobre as origens e o uso da Kava-Kava. Parte de um talo fossilizado, que pode apenas temporariamente sugerir-se que pertença à planta da Kava-Kava, foi descoberto em Talepakemalai, na ilha de Eloaua, a norte do arquipélago de Bismarck da Papua-Nova Guiné. Foi descoberto juntamente com um estilo altamente decorado de cerâmica conhecido como “Lapita”. Crê-se que o povo Lapita é o antecedente dos modernos Polinésios e os seus vasos cerâmicos exemplos antigos de tigelas usadas para beber Kava-Kava. Todavia, as coisas não encaixam assim tão bem, pois o artesanato Lapita foi encontrado em áreas fora da zona onde se bebe a Kava-Kava. Outra teoria (desenvolvida pelo antigo antropólogo W. H. R. Rivers), a qual foi em grande parte abandonada, é de que os povos que usavam a Kava-Kava eram desalojados por novas populações que usavam a Betel, substituindo a droga indígena com a sua própria em algumas regiões da Melanésia. Hoje em dia, porém, esta teoria é considerada demasiado simplista e falha na explicação do uso de ambas as substâncias por algumas culturas.

Com frequência os efeitos da colonização e da influência ocidentais apenas extirparam o uso das substâncias psicoativas tradicionais. Todavia, e apesar de terem existido tentativas persistentes de abolir o uso da Kava-Kava em muitas áreas do Pacífico, o seu uso continua ininterrupto. No Vanuatu, independente desde 1980, o uso da Kava-Kava até aumentou, e é apoiado pelas autoridades como uma alternativa desejável ao álcool. Esta é pelo menos em parte uma estratégia económica, visto que resultou tanto numa drástica queda da importação de bebidas alcoólicas, como no desenvolvimento da Kava-Kava como significante lucro. Os bares de Kava-Kava espalharam-se pelas ilhas do Pacífico, disponibilizando um modo de consumo moderno num ambiente informal e sociável. No ocidente, a Kava-Kava está a ganhar popularidade pelo seu efeito relaxante já há algumas décadas.

A Kava-Kava tinha também grande importância religiosa e via-se como ligando o utilizador aos seus antecedentes e aos deuses. Não se tratava apenas de uma oferta ou sacrifício aos espíritos, mas de um modo de conseguir acesso ao mundo dos espíritos. É usada em cerimónias de cura, e para obter conhecimentos escondidos ou esotéricos. O seu uso como meio de divinação espalhou-se grandemente, e no Havai os “kahunas” (padres nativos), num modo idêntico ao da leitura das folhas de chá, leem as bolhas à superfície da poção de Kava-Kava para adivinharem o sexo dos bebés antes de nascerem, ou a causa de uma doença. Na mitologia e simbolismo dos povos do Pacífico a Kava-Kava tem uma distinta aura sexual. A preparação da Kava-Kava usando os equivalentes nativos do pilão e do almofariz no Vanuatu e em algumas ilhas da Micronésia é vista com uma forma simbólica de relação sexual. Frequentemente, os mitos relativos à origem da Kava-Kava atribuem a sua origem ou descoberta às mulheres, embora bebê-la seja uma preferência dos homens. Para as mulheres, beber Kava-Kava é considerado não natural e uma forma simbólica de lesbianismo. Todavia, de um modo paradoxal, a Kava-Kava é grandemente reconhecida como substância anafrodisíaca, por exemplo reduzindo o desejo sexual.

Botânica

A Piper methysticum é uma planta perene que cresce frequentemente até aos três metros de altura ou mais, com grandes folhas ovais ou em forma de coração. As flores crescem do lado oposto das folhas; as flores fêmeas e machos ocorrem em plantas separadas.

Química

Vários componentes de rizoma e lactona foram isolados da raiz da Kava-Kava. Das quinze lactonas isoladas da Kava-Kava existem seis principais (cavalactonas) que se sabem causar atividade psicoativa: cavaína, metisticina, demetoxiiangonina, dihidrocavaína, dihidometisicina, e iongonina. Todas as cavalactonas são fisiologicamente ativas, embora sejam as cavalactonas solúveis na gordura derivadas da resina da Kava-Kava que têm o maior efeito no sistema nervoso central. A Kava-Kava em também um efeito direto na tensão muscular semelhante ao dos tranquilizantes. A atividade da rizona da Kava-Kava está quimicamente relacionada com várias ariletilene-ampironas semelhantes em estrutura à miristicina, que se encontra na noz-moscada.

Efeitos

Os efeitos da Kava-Kava bebida são, por ordem de sensação: anestesia ligeira da língua e dos lábios; um comportamento ligeiramente falador e eufórico; sensação de calma e bem-estar, pensamentos claros, relaxamento muscular. O utilizador mantém o controlo de si próprio; explosões como as precipitadas pelo álcool são desconhecidas na experiência com a Kava-Kava. “A tua cabeça é afetada de uma maneira muito agradável. Os pensamentos tornam-se claros. Sentes-te amigável, sem os sentimentalismos da cerveja, e nunca ficas chateado. O mundo não ganha novas cores nem tons cor-de-rosa; as partes ligam-se e tornam-se um todo facilmente compreensível. Sob o efeito da Kava-Kava não consegues odiar, e por isso ela é usada para resolver disputas e para espalhar a paz” (Tom Harrison, no seu livro de 1937 “Savage Civilization”). Quando os efeitos se desenvolvem as suas qualidades soporíferas vêm à tona, e o utilizador normalmente adormece. Estudos relatam outros efeitos, tais como propriedades anti-convulsivas, neuro-proteção, e analgesia.

Uso médico

Uma indicação da importância do cultivo da Kava-Kava através da área do Pacífico é o infindável número de variedades que os indígenas reconhecem. Apenas no Vanuatu sabe-se que os nativos classificam a Kava-Kava em 247 tipos diferentes! A Kava-Kava foi, e ainda é em muitas regiões do Pacífico, um remédio importante usado no tratamento de reumatismo, problemas menstruais, doenças venéreas, tuberculose, e mesmo lepra. Dizia-se que colocar Kava-Kava na vagina provocava abortos.

Vários países europeus (por exemplo Alemanha, Reino Unido, Suíça e Áustria) aprovaram as preparações com Kava-Kava para o tratamento de ansiedade nervosa, insónias e nervosismo com base em dados farmacológicos detalhados e estudos clínicos favoráveis. Para as mulheres na menopausa a Kava-Kava dá melhorias na sensação de bem-estar, na disposição, e nos sintomas gerais da menopausa, incluindo os calores e afrontamentos. Em ambos os usos os efeitos positivos deram-se sem efeitos secundários.

Variedades

A Piper wichmannii é hoje em dia vista como uma variedade selvagem da P. Methysticum, em vez de uma espécie genuinamente distinta.
A Kava-Kava também se apresenta em muitas formas: pó, comprimidos, tinturas, extratos, etc. Normalmente a erva seca-se ao sol e desfaz-se em pó.

Uso

A Kava-Kava consome-se tradicionalmente num chá, ou seja, uma infusão feita da filtragem da água misturada com a raiz ou caule cortados, moídos, secos, ou frescos. A planta pode também mastigar-se como parte da preparação da Kava-Kava; isto afeta o produto final devido às enzimas existentes na saliva. O extrato é uma emulsão que consiste de gotas suspensas de cavalactonas numa suspensão dura. O seu sabor é ligeiramente picante, enquanto que o aroma distinto varia se preparado a partir de plantas secas ou frescas e da variedade das mesmas.
Talvez o método mais simples de preparar o chá seja juntar duas ou mais colheres de sopa cheias de pó de raiz de Kava-Kava por pessoa numa peúga limpa ou collant, dar-lhe um nó, e espremer repetidamente para uma tigela de água fria.
Para obter efeitos sedativos podem tomar-se 180 a 210 mg de cavalactonas como dose única uma hora antes de dormir. A dose recomendada para efeitos ansiolíticos é de 45 a 70 mg de cavalactonas três vezes ao dia. Tem isto em consideração, pois uma tigela normal da bebida de Kava-Kava preparada de modo tradicional contém aproximadamente 250 mg de cavalactonas.

Avisos

Farmacologicamente a Kava-Kava não causa dependência e é considerada segura. Todavia o seu uso não é isento de riscos, e por isso a Kava-Kava não é legal em todos os países e por vezes só se vende com receita médica.
O uso a longo prazo desta erva pode causar hipertensão, redução dos níveis de proteínas, anomalias nas células sanguíneas, ou problemas de fígado. O consumo de álcool aumenta a toxicidade dos constituintes farmacológicos. Não se recomenda a quem pretende conduzir ou precisa de ter reflexos rápidos. Não uses durante a gravidez ou período de amamentação, ou durante tratamentos contra depressões.

Para além disto existe controvérsia sobre os possíveis efeitos nocivos ao fígado. Mais pesquisa deve ser feita sobre isto. Por agora é importante seguir as recomendações da FDA (administração americana das comidas e drogas): as pessoas com doenças ou problemas de fígado ou que tomem medicamentos que afetem o fígado devem consultar um médico antes de usarem qualquer suplemento com Kava-Kava. Mais informação em Erowid.

Contra-indicações

Por vezes as doses altas podem causar enfraquecimento muscular, debilidade visual, tonturas e secagem da pele.

Misturas

A Kava-Kava combina bem com valeriana, erva de são joão, lúpulo, e maracujá em fórmulas naturais relaxantes. O utilizador mais interessado pode experimentar misturar a Kava-Kava com cannabis ou noz-moscada.

Cultivo

A Kava-Kava dá uma bela planta caseira. Podes cultivá-la ao ar livre em locais como a Florida, mas noutros sítios ela requer temperaturas de estufa. Prefere um solo rico, solto, com boa drenagem e irrigação frequente. Dá-se bem em solo pedregoso. As melhores colheitas crescem em solo virgem. Se duas colheitas forem cultivadas no mesmo solo a segunda colheita será pobre. A planta raramente produz sementes e geralmente propaga-se por cortes da madeira firme. Estes são suscetíveis a doenças causadas por fungos devido à grande humidade que a planta requer. As plantas devem plantar-se a cerca de 2 metros de distância umas das outras.
Os talos das raízes alcançam o crescimento máximo por volta dos 6 anos de idade, mas quanto mais velha for a planta mais potente será a raiz. Os talos podem ser escavados e usados frescos ou secos ao sol. Os talos mais baixos do caule também são ativos. Antes de secá-los, os talos da raiz e os tales mais baixos devem ser raspados para remover a cobertura exterior e cortados aos pedaços.

Armazenamento

A Kava-Kava seca pode ser guardada a qualquer temperatura abaixo dos 50°C se mantida em contentores à prova de humidade. A humidade existente na Kava-Kava deve controlar-se pelo cheiro e verificando o aparecimento de bolor e se as raízes se dobram em vez de se partirem. Quando guardada em forma de pó não requer tanta atenção.

Ligações / Mais informação

Kava kava: an introduction
Lycaeum on kava kava
Kava brew receipe

Referências

Este artigo baseia-se nas seguintes páginas:

The Encyclopedia of Psychoactive Substances by Richard Rudgley, Little, Brown and Company (1998) on kava kava
Herbal Information Center on kava kava
Kava kava: an introduction
Growing kava kava
II Harvesting
Dr. John Grohol's Psych Central on kava kava


Comentários

  • Ligia 02-08-2010 03:26:18

    Gostaria de saber se ha algum artigo falando sobre a utilizacao da cava-cava em animais.

  • MStra 24-10-2010 08:47:21

    Where does Kava Kane come into the picture? I've heard of Kava Kane tea, but I can't get enough information indicating what exactly the Kane part is. Kane doesn't appear to be another word for Cane and yet the only reference I can find has to do with the addition of cane sugar to compensate for the bitterness of the kava kava root.


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