Ginseng

O que é o ginseng?

Diz-se que a palavra “ginseng” significa “a maravilha do mundo”. O ginseng (Panax sp.) é a erva chinesa mais reconhecida em todo o mundo pelo seu uso medicinal. Há mais de 7000 anos que se usam várias formas de ginseng na medicina alternativa. Várias espécies crescem pelo mundo inteiro, e embora algumas sejam preferidas para efeitos específicos, todas são consideradas como tendo propriedades semelhantes de rejuvenescimento eficaz do corpo e da mente. O nome “panax” deriva da palavra grega “panacea”, que significa “cura tudo”, e os benefícios do ginseng são assim considerados. O ginseng é geralmente utilizado como substância adaptogénea, o que significa que normaliza o funcionamento do corpo de acordo com as necessidades individuais (por exemplo, baixa a tensão arterial alta, mas aumenta a tensão baixa).

História

Existem alguns mitos sobre o uso histórico do ginseng, e embora a planta tenha sem dúvida alguns “poderes” parece que o exagero não era raro nas descrições destas histórias durante várias gerações.
O mítico imperador Shen-nung é conhecido como a primeira pessoa a ter usado o ginseng. Este imperador foi abençoado com um abdómen transparente, através do qual podia julgar as propriedades curativas por si próprio.
Uma dieta na qual o ginseng é um ingrediente central era considerada essencial para atingir uma idade avançada. O chinês Li Chung Yun alimemntou-se apenas de vegetais crus e de ginseng, e atingiu a respeitável idade de 256 anos (1677-1933).
Na Coreia, a procura anual da planta incluía muitos rituais. Os que a colhiam deviam ser ascetas. E quando o ginseng era finalmente encontrado, as raízes eram cuidadosamente desenterradas à mão.

Até ao século 19, os Jesuítas foram os únicos habitantes europeus na China. Em 1713, o padre francês Jartoux escreveu sobre uma planta chamada “orhota” pelos Tártaros. Supostamente esta planta possuía poderes maravilhosos. Tratava-se Panax ginseng. Estas notícias chegaram ao conhecimento de outro missionário, Joseph Lafifau. Ocorreu-lhe que as áreas florestais descritas como o habitat do ginseng eram bastante semelhantes ao ambiente em que ele próprio trabalhava. Decidiu procurar ginseng canadiano, o qual encontrou nas florestas perto de Montreal. A planta era conhecida pelos índios como “garentoquen”. Parecia ser a espécie do ginseng americano. Aparentemente muitas tribos índias já conheciam a planta há séculos, e esta fazia parte da sua medicina. A tribo dos índios Chippewa chamava à planta “shte-na-bi-o-dzhi-bih”, o que significa “raiz do homem”. A planta tinha propriedades revitalizantes e analgésicas. Como a raiz tinha uma forma humana, usavam a parte que se parecia com a zona do corpo com dores.

Os especímenes norte-americanos foram transmitidos para Paris por Sarassin, em 1704. Desde o início do século 18 houve dois períodos em que o ginseng americano foi transportado da China. Naquela altura apenas o imperador tinha o direito de colher as raízes na natureza.
Agora o ginseng é uma erva protegida na China e na Rússia. O ginseng branco natural é frequentemente processado a vapor para a produção do “ginseng vermelho”, o qual tem uma potência medicinal diferente e mais forte.

Botânica

O ginseng distingue-se entre asiático ou chinês. É originário da Manchúria, da Tartária chinesa e de outras partes da Ásia ocidental, e é largamente cultivado na China, na Coreia, no Japão e na Rússia. A planta cresce agora também nas florestas ricas do este e do interior norte-americano.

É uma erva perene, com uma raiz grande e carnuda de crescimento muito lento, com 5 a 7,5 cm de comprimento (ocasionalmente pode ter o dobro deste tamanho), e com 1,5 a 2,5 cm de espessura. As cores variam do amarelo pálido ao acastanhado.
Tem uma doçura mucilaginosa, quase licorosa, com alguma amargura e um ligeiro calor aromático, e pouco ou nenhum aroma. O caule é simples e erecto, com cerca de 30 cm de comprimento, com três folhas, cada uma dividida em cinco folhinhas dentadas, e uma única umbela terminal com algumas florzinhas amarelas. O fruto é um cacho de pequenas bagas vermelhas. O ginseng floresce pela primeira vez no quarto ano, e as raízes demoram 4 a 6 anos a atingirem a maturidade. Quanto mais velha for a raiz maior será a concentração de ginsenósidos, os compostos químicos activos, e por isso mais potente será o ginseng. As raízes de ginseng podem viver mais de cem anos.

Química

O ginseng contém as vitaminas A e B-6, e o mineral zinco, que ajuda na produção de hormonas tímicas, necessárias ao bom funcionamento do sistema imunitário. Os ingredientes activos principais do ginseng são os mais de 25 glicosídeos saponinicos triterpenóides chamados “ginsenósidos”. Estes ingredientes semelhantes aos esteróides fornecem as propriedades adaptogénicas que permitem ao ginseng equilibrar e contrariar os efeitos do stresse. Os glicosídeos parecem actuar nas glândulas adrenais, ajudando a prevenir a hipertrofia adrenal e o excesso da produção de corticosteróides em resposta ao stresse físico, químico ou biológico.

Uso medicinal

Para além dos usos descritos acima, o ginseng também é usado para reduzir os efeitos do stresse, melhorar o desempenho geral, impulsionar os níveis de energia, ajudar a memória, e estimular o sistema imunitário.
A medicina oriental avaliou o ginseng como ingrediente essencial em todas as suas melhores receitas, e considera a planta preventiva e curativa. Diz-se que remove a fadiga mental ou corporal, cura os problemas pulmonares, dissolve tumores e reduz os efeitos do envelhecimento. Também se usa contra os diabetes, para proteger de radiações ou quimioterapia, contra as constipações e queixas peitorais, para ajudar a dormir, e para estimular o apetite.

Variedades

Existem muitas variedades de ginseng, as quais se distinguem pela sua origem. No que diz respeito às propriedades medicinais existem pequenas diferenças, razão pela qual cada tipo tem a sua especialidade própria.

O ginseng chinês (Panax ginseng) é considerado útil no tratamento de diabetes, anemia, cancro, depressão, insónias, choque, fadiga, hipertensão, efeitos de radiações, stresse ambiental, físico e mental, e doenças crónicas. Diz-se que estimula a resistência, aumenta a esperança de vida, relaxa o sistema nervoso, melhora o alerta mental, ajuda as funções hormonais, aumenta os níveis de lípidos, baixa o colesterol, melhora o crescimento dos nervos e aumenta a resistência às doenças. Diz-se que actua como substância antioxidante e psicotrópica e que tem acção anticancerígena.

O ginseng americano (Panax quinquefolius) é semelhante ao chinês, excepto no efeito mais suave. Sobretudo tonifica os cinco órgãos: fígado, coração, pulmões, rins, e baço.

Estudos feitos na China sugerem que o ginseng siberiano (Eleutherococcus senticosus) é especialmente eficaz no alívio da fadiga. Tem um maior efeito estimulante que o ginseng normal; mas também pode acalmar o paciente e reduzir a ansiedade.

O ginseng coreano (Panax ginseng) pertence à mesma espécie que o ginseng chinês, mas como este tipo de ginseng cresce em condições ambientais perfeitas as suas qualidades são muito superiores às do ginseng chinês.

O ginseng japonês (Panax japonicus) é muito usado pelas ervanárias japonesas em vez do ginseng chinês, pois contém muito menos ginsenósidos e é considerado mais leve.

O ginseng himalaio (Panax pseudoginseng Himalaicus) é usado no Himalaia como variante para as pessoas com falta de apetite e como ajuda digestiva. A potência medicinal é mais baixa que a do ginseng chinês.

Uso

Usa-se toda a raiz, o pó em cápsulas, como ingrediente em várias fórmulas naturais, e como chá. A raiz é frequentemente mastigada, ou pode fazer-se uma decocção. Mistura meia colher de chá da raiz em pó e um copo de água, deixa ferver e cozer em lume brando durante 10 horas. Bebe 3 vezes por dia.
Para preparar um chá, ferve 3 gramas de pó de ginseng em água durante 5 a 10 minutos. Coa antes de beber.

Avisos

A informação de uso menciona doses entre 1 a 6 gramas por dia. O uso excessivo pode causar dores de cabeça, sonolência, tensão muscular e retenção de fluídos.
Recomenda-se um pausa após usar ginseng durante 4 semanas seguidas. O corpo habitua-se ao consumo regular; para manteres as tuas doses eficazes é preciso parares de usar ginseng por um algum tempo.
Como com a maioria das substâncias naturais, o ginseng pode reagir a outros medicamentos. Consulta o teu médico em caso de dúvidas.

Misturas

O ginseng pode misturar-se com centela (Centella asiatica), para equilibrar o corpo e a mente. Para concentração e clareza mental, o ginseng pode ser misturado com guaraná.

Contra-indicações

Não se conhecem registos de efeitos secundários do ginseng.

Cultivo

Para o cultivo eficaz do ginseng diz-se que é necessário um solo solto, rico, com bastantes folhas e cerca de 80% de sombra – que normalmente tem de ser aplicada artificialmente. É difícil cultivar o ginseng ao ar livre com sucesso; é necessário um composto rico. A maior parte das espécies deste género precisa de tratamento de estufa. A propagação por corte das raízes é o método com maior sucesso, colocando-se os cortes em areia, por baixo de vidro. As sementes, geralmente obtidas do estrangeiro, são semeadas em potes no princípio da Primavera e precisam de calor suave. Quando as plantas têm alguns centímetros de altura devem ser transplantadas para cantos de jardim ou orlas protegidas. Precisam de um solo quente mas com muita sombra.

Armazenamento

O ginseng e as raízes, quando frescos, podem ser guardados durante dois meses a 0ºc, e as raízes durante vinte dias a 25ºC.

Ligações / Mais informação

University of Wisconsins Field Crops Manual: ginseng
The Nature of Ginseng: From Traditional Use to Modern Research
BBC: Ginseng 'helps to ward off colds'

Referências

Este artigo baseia-se nas seguintes páginas:

Botanical on ginseng
Herbal Information Center on ginseng
Chinese natural herbs' ginseng information
Azarius on ginseng (including lower image)
Ginseng: geschiedenis en gebruik
Upper image from traffic.org




Comentários

  • sarah - 2014-02-04 13:01:44

    Materia muito util ai, gostei

Junta comentário

Última alteração em 2014-09-02 | © 1999-2014 Azarius International

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